sexta-feira, 10 de junho de 2011

A República como Feudo, a Estratégia Monárquica do Governo do Rio de Janeiro

Estou compartilhando este texto que escrevi, porque a cada dia que passa neste movimento dos bombeiros, fica mais claro que ao reunir os poderes do estado como se fossem uma única corporação, Sérgio Cabral sentiu-se acima do bem e do mal, indevassável. assim, achou que poderia destilar suas desavenças, publicamente. Sentiu-se, como sentiam-se os reis, protegido de tudo, de todos. Esqueceu-se de lembrar Versalhes.
Estamos em uma situação muito difícil no Rio de Janeiro. Os três poderes do estado estão unidos, e agem de forma coordenada na defesa do interesse dos seus chefes. Como uma corporação, os líderes do executivo, do legislativo, e do judiciário criaram uma estrutura de auto-proteção que os permite fazer o que bem entenderem. Isto explica a truculência do governador ao chamar os bombeiros de vândalos e fazer uma cara de quem está acima do bem e do mal. Cabral sabe que não existe nada capaz de questioná-lo. Sérgio Zveiter é irmão do presidente do Tribunal Regional Eleitoral, e desembargador do Tribunal de Justiça, Luiz Zveiter, ao colocá-lo no cargo de Secretário de Trabalho do Estado, Cabral, como nos reinos de antigamente, propôs uma aliança. Zveiter, de Secretário, serviu como a noiva a ser desposada para unir o feudo do executivo ao feudo do judiciário. O feudo do legislativo já estava unido ao do executivo há mais tempo. Quando este casamento aconteceu o feudo do executivo era chefiado por Garotinho, e a noiva do legislativo era o atual governador Sérgio Cabral. O problema é que esta união cria uma corporação altamente poderosa, onde seus chefes têm uma espécie de habeas corpus preventivo para falarem o que quiserem, e para se manifestarem da forma que quiserem. Eles sabem que ao subjugar os poderes da República a uma estrutura monárquica, se tornaram indevassáveis. A república está alicerçada sobre a representatividade popular, exatamente por isso as suas estruturas recebem o nome de Poder, pois representam o poder do povo. Como bem sabemos, são os poderes executivo, legislativo e judiciário. Ao tratá-los como feudo a arquitetura da república está ferida gravemente. Creio, entretanto, que sobreviva, mas no Rio de Janeiro estamos hoje mais próximos dos estados teocráticos do oriente médio, do que da República de Montesquieu.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Chico Buarque, A Internacional e as Mortes Medievais nos Campos do Brasil

Chico Buarque, A Internacional, e as Mortes Medievais nos Campos do Brasil

por Marcelo Paes de Oliveira, terça, 31 de maio de 2011 às 12:09
Quanta poesia há nos campos, em todos os sentidos. Desde o chamamento revolucionário da Internacional Socialista, “sejamos nós que conquistemos / A terra mãe livre comum”..., até a obra prima de Chico Buarque O Cio da Terra, ...“afagar a terra / conhecer os desejos da terra / cio da terra a propícia estação / e fecundar o chão.
Mas quanta morte há no campo. A história dos assassinatos na Amazônia começou no século XVII, e após provocar a chacina de mais de 6 milhões de índios (o impressionante número de 45 mortes por dia nos últimos 400 anos), estende-se pelo terceiro milênio com o assassinato de homens e mulheres que, antes de defenderem as suas vidas, estão defendendo a floresta, estão defendendo a água, estão defendendo a vida do planeta, e a nossa vida no planeta.
Estas pessoas não eram inimigas de ninguém, estas pessoas apenas não se dobraram à escravidão do latifúndio e à voracidade das madeireiras. Estas pessoas queriam apenas plantar e colher frutas e legumes, não queriam colher dinheiro.
As suas mortes possuem alguns ícones, como Chico Mendes e a missionária Dorothy Stang. Mas a adaga da morte campesina ceifa indiscriminadamente homens e mulheres no país. Segundo dados da Comissão Pastoral da Terra somente na primeira década do século XXI trezentos e sessenta agricultores foram assassinados no Brasil, ou seja: uma morte a cada dez dias durante 10 anos.
Era uma gente marcada para morrer. E que morreu nas barbas da nossa república, aos olhos das nossas autoridades, iluminados ao sol do novo mundo, como diz a canção que nos acompanha desde o ensino fundamental.
Não, na verdade nosso lindo campo não tem mais flores como quer o Hino Nacional, nosso lindo campo tem mais dores, e nossos bosques não tem mais vida, nossos bosques tem mais mortes.
Esta é verdade que nós precisamos encarar de frente. Se formos olhar a seção “cartas dos leitores” de todos os principais jornais do país, vamos observar claramente que a Câmara dos Deputados votou o Código Florestal em desacordo com os anseios do povo brasileiro.
A sociedade precisa acompanhar as investigações das recentes mortes ocorridas no Pará e em Rondônia de perto, bem como exigir a adoção de políticas públicas capazes de erradicar de vez esta barbárie medieval por que passam os nossos agricultores, e as nossas florestas. Comissões devem ser criadas, audiências públicas devem ocorrer, a mídia precisa estar atenta. Mas quando ouço, como a mim foi dito pela repórter do CQC Mônica Iozzi, que eles não podiam abordar matérias sobre o Código Florestal porque o dono da Band é pró-ruralista, chego a me perguntar que moral tem o programa para fazer o que faz?
Enfim, resta-nos ainda hoje repetir o refrão da música com que abrimos este texto: Bem unidos façamos / Nesta luta final / uma terra sem amos /A Internacional.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Dr. Marcelo Paes Também é Poesia


Balada do Amor Feroz

... e a mulher serviu-me de modelo para os demônios e para os anjos -
demônios marinhos e anjos marinhos – a alma veio afogada entre eles.
Rudyard Kipling – A Luz que se Apagou

Almas, almas
tragam-me algo de beber,
esta mulher me fez arder em chamas
tenho sede!
Estou queimando os carnavais da minha vida
vou restar em cinzas
no ventre de alguma quarta-feira,
quero despir-me em rosa
em Rosa dos seus Ventos.
Varrei tufão,
varrei de mim o que não seja ela,
levai-me aos ares tempestade
conduza-me ao altar dos seus pecados,
quero pecar mil vezes mais
e condenar-me,
condenar-me ao infinito das minhas dores
as mais belas dores que senti.
Negros deuses, rubras feiticeiras
Parcas lascivas, profetas degredados
todos!
Destinem-me ao rol do seu amor,
mostrem-lhe meu coração suado
o suor frio dos amedrontados,
digam-lhe que tenho medo de perder-lhe
mas não tenho medo de perder-me,
não tenho medo da vida submissa
não tenho medo de ser-lhe obediente
não tenho medo sequer de por ela morrer mil vezes.
Varrei Tufão,
varrei meus pensamentos de ausência,
almas, almas
tragam algo de beber
estou sedento!
A sede nasce em todos que lhe cruzam os caminhos
e ela é a água,
Oh! doce água cristalina,
faz amor com a minha garganta,
Oh! Êxtase
Oh! Pontos extremos dos sentidos
tudo me dói, tudo me acalma
tudo me angustia, tudo me vem como carinho.
Explicai meu Deus,
explicai o que eu sinto,
mas não ponha a mão no meu destino,
quero que ela me conduza
e Tu és nada em sua frente,
ela surgiu da fenda aberta no infinito
de onde tiraste luz e trevas
e onde achaste a Criação.
Mas meus dias nasceram da sua boca,
os dias antes vividos
são de outra existência
onde sequer me reconheço,
foram dias vividos por um Eu que era ninguém,
dias descartáveis
dias que não valeram
dias a serem descontados dos meus anos.
É hora de ser alguém,
é a minha hora morna de nascer.
Luz,
abram as janelas para que entre mais luz,
bardo alemão, romântico brado
teu derradeiro grito ficou suspenso no ar
por décadas, por séculos
até cair em minha poesia
na forma brusca da mulher que amo.
Mas, ela não precisa dos meus versos
ela não precisa de nada,
então eu nada trouxe para oferecer-lhe.
Toma, querida
toma da minha vida o grande vazio que eu lhe trago...
Estarei a espera de que comeces a ocupá-lo.

Havana, julho de 2006

quinta-feira, 12 de maio de 2011

O PMDB, e Alfredo Gonçalves

O PMDB, e Alfredo Gonçalves.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Por Marcelo Paiva Paes
Ainda sobre o PMDB, diria que a esta altura Alfredo, se não está, deveria estar absolutamente preocupado em conversar com Bernardo Ariston. E se não viu, deveria estar vendo que se fiar só na promessa de Paulo Melo pode não dar certo. Afinal, Bernardo é um ex-deputado que construiu laços de confiança com o Vice Presidente da República, e Presidente (licenciado) do PMDB Michel Temer. Lembremos que Bernardo foi deputado quando Temer presidiu a Câmara, e também lembremos que foi de Temer a sua indicação para a Presidência da Comissão de Minas e Energia. Então por que não ganharia agora a chance de conduzir o PMDB de Cabo Frio?
Enquanto isso, olhando apenas para o umbigo, Alfredo enxergou Paulo Melo como o Deus que iria garantir o PMDB. Numa coisa Alfredo estava certo, ele não confiava em Marcos Mendes como garantidor de nada, ele só acreditou porque o arranjo foi apalavrado por Paulo Melo, e as pessoas do governo tem a pequenez de achar que ele é o deputado mestre da ética, da política, e do conteúdo.
Um outro problema para Alfredo, como dissemos mais acima, será ter que conversar com Bernardo. Por duas razões: uma que ele, Alfredo, sabe qual é, não precisamos falar até porque não devemos falar; e a outra porque Alfredo só pode pensar em mandar algum recado de que quer conversar com Bernardo se ele, Alfredo, acreditar que Bernardo é, digamos, bobo. Caso ele não ache Bernardo um bobo, ele sabe que não adiantará nada, pois não será recebido.
Fora isto, existe o fato de que Alfredo traça sua estratégia pelo que ouve dos seus bajuladores e puxas-saco. Contarei um fato para mostrar o quanto eles são importantes para o ex-presidente da Câmara. Na época em que eu presidia o PSDB, o secretário do partido era um engenheiro chamado Marzulo, ele começou a ficar amigo do Aguinaldo, advogado, hoje coordenador do DETRAN de Cabo Frio, e pessoa ligada a Alfredo, com isto foi-se aproximando do então vereador. Por esta razão começou a falar que o PSDB poderia apoiá-lo à deputado estadual, afinal ele era do PPS e estava na aliança. Mandou-me alguns e-mails (que ainda os tenho), e a todos eu respondia educadamente. Eu dizia que iríamos buscar uma outra aliança pois precisávamos de alguém que tivesse a coragem necessária de trazer o Gabeira a Cabo Frio, e que para mim o Alfredo não seria nem candidato. Como eu havia articulado a entrada do Froilan no DEM, e sabia que o Froilan seria mais confiável em manter a palavra de honrar o compromisso com a campanha da aliança do que o Alfredo, insistia nesta posição. Pois bem, quando enfim a campanha começou a ir para a rua, o Alfredo desistiu da candidatura, e eu apoiei o Froilan para que trouxéssemos, como trouxemos, o Gabeira três vezes a Cabo Frio. Nesta hora recebi um e-mail malcriado do Marzulo, dizendo que eu era um déspota, pois não ouvira ninguém e etc., etc, etc. A este e-mail respondi de forma incisiva, disse a ele que eu estava ouvindo a determinação regional do partido para fazer a campanha majoritária, e que ele Alfredo, como eu previra, era um fraco, um covarde, um fujão que não teve a coragem de ser candidato.
Ora amigos, um e-mail é uma comunicação interpessoal, é algo onde podemos escrever uma ou outra bravata, até porque estamos falando para alguém de forma reservada. Acrescenta-se o fato de que o Marzulo jamais havia sido, ou sequer participado, da vida partidária. Fui quem o colocou no PSDB e fui eu quem o fiz Secretário do partido. Além disso já havíamos enfrentado juntos duras brigas, e mesmo com opções políticas naquele momento diferentes eu confiava nele, afinal era um engenheiro, uma pessoa com formação, e, sobretudo, era alguém que considerava amigo. Pois sabem o que ele fez? Foi até o Alfredo, e como um menino mimado que vai chorando até o pai dedurar o cascudo que levou, imprimiu e mostrou a ele o meu e-mail, pode?! O pior é que ele mostrou ao Alfredo apenas o e-mail em que eu respondo às suas grosserias, não mostrou todos os outros anteriores, em que eu considero as questões levantadas por ele de forma educada, e até reconheço a importância do Alfredo caso ele tivesse uma estratégia maior, e não a estratégia menor de se apequenar no mandato para ser subserviente a Paulo Melo e Marcos Mendes. Cá para nós, isto é apequenar-se muito, não?
Sabem aquela raça mexicana de cãozinho, o Chiuaua? O fato é que Alfredo é o Chiuaua da política de Cabo Frio. E quem nasceu para Chiuaua, não chegará a ser David. Do seu tamanho não conseguiu enxergar no PMDB nada além de Marcos Mendes e sua afinidade com Paulo Melo. Agora vê uma força agigantar-se na sua frente. Vai passar o resto dos dias reclamando de ser pequeno. Se fosse mais novo iria tentar fazer tratamento para crescer. Mas não é. Faltou-lhe cultura, faltou-lhe estofo ideológico, faltou-lhe dignidade com o seu mandato, faltou-lhe honra, e agora... vão faltar partidos.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

O Pirulito de Jiló


Posso estar me precipitando um pouco, mas quem se propõe a escrever sobre o cotidiano corre este risco. O que vejo no cenário atual é que o prefeito de Cabo Frio não tem mais a menor capacidade de articular politicamente nenhuma posição partidária. Enriquecido, mas provavelmente enfraquecido, Marcos Mendes é a versão tupiniquim de tantos chefes do executivo que depois de anos perdem completamente suas sustentações políticas. Sobram as coisas materiais acumuladas, mas o respeito e a honra são cuspidos para fora como detritos em um emissário submarino.
A chegada de Bernardo e Augusto Ariston ao PMDB local tem duas tacadas, uma do PMDB nacional, e outra do Picciani. O PMDB nacional deseja ver Bernardo, um deputado representativo (foi Presidente da Comissão de Minas e Energia), voltar a cena política. E Picciani faz um jogo nem tanto para fortalecer Alair, mas para enfraquecer as pretensões do grupo liderado por aquele a quem ele, Picciani, chamou de vagabundo.
A verdade é que Alfredo está no PPS e pretendia lá ficar e disputar o cargo. Mas o PMDB pode insistir em ter candidato, e pode sim tentar trazer à tona o nome do Bernardo. Se não para prefeito, quiçá para vice. O fato é que Alfredo agora está numa encruzilhada, e não foi por falta de aviso nosso. Nós sempre denunciamos que sua estratégia estava equivocada, que ele havia se diminuído, e só enxergava chances de se viabilizar apoiando-se na máquina municipal. Sempre dissemos que ele não tinha esta afinidade toda com a máquina, que seria muito melhor para ele engrandecer sua posição de presidente da Câmara, e não diminuí-la a ponto de usá-la como elemento de pressão para forçar a emissão gutural do seu nome pela traquéia do Prefeito.
Marquinho arranhou na garganta o nome de Alfredo, mas até hoje está enxaguando-a com colutórios e sprays orais cheios de antisséptico.
O fato é que após estas eleições municipais Cabral estará indo para o fim de seu mandato, e vai aguardar dois anos até a próxima eleição. Picciani, ao contrário, após estas eleições municipais estará disputando a próxima e, certamente, retornando ao mandato de deputado. Ou seja, Cabral já está pensando em não cutucar Picciani, pois dependerá das amizades que construiu para manter sua chama até a eleição para presidente, vice ou senador. Brigar com Picciani hoje por causa de Marcos Mendes significa sair rachando com muita gente para quem estará em fim de mandato na eleição seguinte. Ainda mais brigar com Picciani por causa do fraco candidato, que na verdade nem é tão candidato assim, de Marcos Mendes. Digam amigos, se vocês fossem o Cabral rachariam com o Picciani por causa do Alfredo Gonçalves? Alfredo é que se dane, não é verdade? Além destas questões existe ainda a possibilidade de Bernardo querer retornar à cena política e ser deputado federal em 2014, para isto a sua posição em Cabo frio nesta eleição é decisiva. Augusto Ariston, o pai, sabe disso, e pode preparar o PMDB local para pavimentar a estratégia de Bernardo. Nesta lógica Cabral também não iria brigar com Bernardo, que estará voltando a ser deputado nas eleições seguintes, por causa de Alfredo Gonçalves. Reparem que Picciani e Bernardo estarão voltando ao mandato em 2014, quando ele, Cabral, estará sem mandato.
Bem, Marquinho não trará partido nenhum para Alfredo, a não ser o PSB de Carlos Victor. Alfredo por sua vez ficará no PPS, o PMDB não deve apoiá-lo, apesar do Paulo Melo, mas, como disse acima, Cabral estará saindo do governo, Paulo Melo estará disputando a eleição de deputado estadual, mas o Picciani também estará, e aí... Meus amigos, eu acho que o Picciani, não vai querer o Paulo Melo de soberano no PMDB a ponto de deixá-lo fazer todos os acertos que quiser. Cabo Frio é emblemático, e Picciani sabe disto.
Pergunto novamente, será que Cabral , Paulo Melo, e Picciani vão se estranhar apenas para fazer valer um acordo envelhecido com um cara do PPS? Uma pessoa que não tem carisma e mais parece um pirulito de jiló? Sinceramente, eu não acredito. Mas, como disse, posso estar enganado. Porém, para mim, o PT, o PMDB, o PSDB, o DEM, o PDT, o PR, e o PC do B, não estarão apoiando a candidatura oficial. Aos que acham que isto é bom para Alfredo, pois a máquina ganha se houver tantos candidatos assim, eu insisto que a máquina está fraca, e não fará os mesmos esforços que fez na reeleição de Marquinho. Além disto, algumas alianças podem acontecer, o PT pode se juntar a alguém, o DEMtambém, o PMDB, o PR, o PCdoB, enfim, alianças podem surgir.
Neste cenário o carisma pode ser uma máquina mais importante de voto do que a máquina pública.
É uma opinião, e já disse que posso me enganar. Mas não creio.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

De Platão a Descartes

domingo, 8 de maio de 2011

De Platão a Descartes
Eu vi o homem
E o homem me viu.
O homem que eu via,
Na fisionomia,
De todo era eu
Já o que me via
não sei...

O homem que eu via
No tempo havia,
Já o que me viu
Nunca existiu.
Quebrei o espelho.
Hoje, quando busco me ver
Rejeito o reflexo... reflito.
E tendo partido
Das sombras de vidro
Sinto que penso,
logo existo.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

A Gasolina....Está Biscate...


Por Dr. Marcelo Paiva Paes
Quero agradecer a participação de James Santos e seu comentário a respeito do artigo que publiquei, sobretudo porque ele abraça justamente o conceito fundamental do mesmo, qual seja, o fato de em sendo uma empresa de capital misto, com acionistas privados, a Petrobrás faz o jogo de mercado e coloca a gasolina na bolsa mundial de comércio, afinal ela privilegia o lucro na venda do seu produto. Até mesmo por isso eu dei ao artigo o sugestivo título de “O Petróleo é Nosso, mas a Gasolina é do Mercado”.
Gostaria , entretanto, de lembrar ao articulista que em meu artigo eu cito a questão dos impostos como um dos fatores para o alto preço da gasolina, se ele voltar ao mesmo encontrará a seguinte frase “soma-se a isto o peso dos impostos que incidem sobre a gasolina”. Mas não são os impostos a grande ferramenta conceitual que torna a nossa gasolina mais cara do que a da Venezuela, como parece pretender o nosso comentarista, não. É exatamente o privilégio do lucro sobre a função social do produto a razão desta discrepância. Como função social entende-se o atendimento da demanda de acordo com as realidades econômicas da população. E a gasolina está bem acima da nossa realidade sócio-econômica. Notem que esta realidade sócio econômica não é renda per capita, é o olhar antropológico dos nossos extratos sociais, e, neste sentido, somos um país pobre.
A função social do produto não privilegia o lucro, é assim em Cuba, onde ainda hoje persistem duas moedas, o peso cubano e o CUC. O peso cubano compra no mercado os produtos cubanos a preços sociais, e o CUC é a moeda pela qual se troca o dólar. Não se troca dólar por peso cubano, só por CUC. O CUC vale o mesmo que o dólar, e compra os produtos importados. Ou seja, é a moeda para os turistas beberem Coca Cola. A empresa cubana de refrigerantes, chamada Ciego de Ávila, vende seus produtos em peso, e eles custam bem menos do que a Coca Cola vendida em CUC.
Então vamos lá, a gasolina brasileira sai da refinaria, e é vendida aos distribuidores, a um preço de R% 1,05 reais, a gasolina venezuelana sai da refinaria, e é vendida aos distribuidores, a um preço de R$ 0,29 centavos. Esta diferença é exatamente o lucro da Petrobrás. Por isso ela está na bolsa de valores, por isso ela vale tanto, afinal ela tem um lucro de quatro vezes o valor da produção. Os impostos incidentes, o custo do frete, o lucro da distribuidora, o lucro do dono do posto, incidem, portanto, sobre um produto que, já na sua produção, custa quatro vezes mais.
Além disto, a cadeia de atravessadores da venda, que são os distribuidores e os revendedores, possuem um peso maior no preço final da gasolina do que os impostos. Pois ganha o dono do caminhão que leva o combustível ao posto, e ganha o dono do posto que vende a gasolina. Só depois temos os impostos. Então percebam, a gasolina mata a sede de lucro: do produtor (Petrobras e seus acionistas), do distribuidor (várias empresas, como: Sheel, BR distribuidora, Esso, e etc.), e dos donos dos postos (milhares deles espalhados no Brasil).
É por tudo isto que afirmamos que a relação entre as ferramentas conceituais de “função social do produto” versus “lucro do produto” faz a diferença. E é muita diferença. Os técnicos da Petrobrás, conhecidos por defenderem corporativamente a empresa, preferem jogar a culpa exclusivamente nos impostos, mas isso é uma retórica antiga. A verdade não é a que eles contam, pois eles contam no interesse da empresa. Isto sim é que, na verdade, é outra história
Com relação ao gás, permita-me colocar algo mais grave, não é só retornar o acesso e fechar o poço a política da Petrobras, isto é até o menor problema. O que estamos fazendo, e isto é grave, é queimar este gás. Sim, nós estamos literalmente queimando este gás nas plataformas. O Brasil está queimando gás para manter o preço elevado.
É triste, mas é a verdade, e isso também é outra história.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

João Paulo II Por Dr. Marcelo Paiva Paes


Apenas para que a história não fique restrita ao show midiático da beatificação de João Paulo II, queria lembrar alguns episódios:
Sobre seu pontificado a cúpula da igreja católica abençoou muitas ditaduras. Com Pinochet, um dos mais, se não o mais sangrento e cruel de todos os ditadores sul americanos, o polonês Wojtyla manteve estreitas relações. A seu lado acenou para as pessoas na sacada do Palácio de La Moneda, o mesmo palácio que anos antes viu o assassinato de Allende ser apregoado pelas forças golpistas do ditador chileno como suicídio. Ditador, e traidor, haja vista que Pinochet havia sido membro do gabinete militar de Salvador Allende, e por ele fora nomeado comandante do exército.
Pois bem, o crudelíssimo chefe do golpe de estado chileno, que torturou milhares de pessoas com choques elétricos nas partes íntimas dos homens e das mulheres, que assassinou por asfixia nas horas lúgubres do amanhecer pais, mães, filhos e filhas, este crudelíssimo assassino, como dizia, recebeu a “sagrada comunhão” das mãos do polonês. E este jamais reprovou seus crimes, e jamais exigiu-lhe que pedisse perdão.
Estamos falando, lembrem-se, de um “beato” que trancou a cadeado os escândalos do Banco Ambrosiano de Milão (um banco com controle acionário do vaticano), escândalos das finanças e também de assassinatos. Pior, este polonês deu asilo ao protagonista de tudo isso, o americano ordenado sacerdote por Chicago, Paulius Marcinkus, homem então procurado pela justiça de todo o mundo. Para quem quiser se lembrar melhor deste fato, a wikypédia pode ser um caminho.
Outro personagem terrível, protegido por Karol Wojtyla, foi Marcial Maciel, o pedófilo fundador da Ordem Legionários de Cristo. Aliás, a própria ordem admitiu em 2010 que vários seminaristas foram abusados sexualmente por Marcial Maciel, e emitiu uma nota oficial pedindo perdão a todos "que tenham sido afetados, feridos ou escandalizados com as ações reprováveis do nosso fundador".
O pior disto tudo é que enquanto protegia criminosos, pedófilos e ditadores, Wojtyla se bateu ferozmente contra teólogos que lutavam, pela justiça e pela liberdade dos povos, como Leonardo Boff, Frei Beto e Ernesto Cardenal.
Duvido muito que os que hoje beatificam João Paulo II voltem os olhos para agraciar o Bispo José Gerardi, que denunciou o genocídio da Guatemala, lutou para responsabilizar seus autores, e acabou assassinado com uma pedrada que destroçou sua cabeça.
Enfim, não quero criticar a beatificação, apenas gostaria que estas coisas fossem discutidas, pois fazem parte da história, e devemos oferecer ao povo a história toda, não apenas uma parte, ou um espetáculo midiático, como se nada mais houvesse acontecido.
O povo saberá escolher o seu lado, mas ele precisa conhecer tudo.
Queria também fazer um paralelo, e engrandecer alguns que certamente jamais serão vistos como santos pelo Vaticano.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Bin Lade, Nada a Comemorar


Acho que não temos nada a comemorar com a morte de Bin Laden. Continuamos sob o fogo cerrado da insegurança belicista do mundo. Belicismo este que arma governos, mas também arma o terror, e de sobra, com seus restos, ainda arma a criminalidade das grandes cidades.

Toda esta fogueira arde sob o combustível irracional da opressão, seja uma opressão globalizada, que busca impor sua antropologia ocidental com claros interesses econômicos, no caso dos países árabes, seja a opressão social, no caso da criminalidade das metrópoles urbanas. Uma opressão que exclui e forma guetos. Guetos que acabam por abrigar marginais que se escondem no meio de um povo excluído e indefeso, onde o estado só entra para fazer política, e de lá se ausenta assim que termina o interesse político.

Este gueto não findará com as incursões de UPPs, ou coisa que o valha, este gueto só findará com uma política de inclusão social séria e eficiente, e mesmo assim levará alguns anos. Da mesma forma a política do terror não se extinguirá no mundo árabe por conta da morte de Bin Laden; esta política só terminará com a liberdade do povo árabe, liberdade que lhe é subtraída há tempos, desde quando as metrópoles dividiram aquelas terras colonizadas sem respeitar as antropologias de Durkheim, sem respeitar famílias, sem respeitar propriedades, enfim, sem respeitar a cidadania e a dignidade daquele povo.

Assim como a criminalidade nos grandes centros, o terrorismo ainda fará parte da nossa realidade, certamente enquanto a matriz energética do mundo for o petróleo. Quando enfim não tivermos mais petróleo para mover o mundo, quando enfim a matriz energética for renovável e sustentável, aí então o mundo árabe deixará de interessar, e será abandonado. Possivelmente até Israel será abandonada, e talvez os palestinos, expulsos literalmente de suas casas quando da criação daquele estado, até possam voltar.

Criminalidade e terror, dois lados de uma mesma moeda. A moeda da opressão e da exploração do homem pelo homem no objetivo do lucro e da riqueza. Uma exploração que desconhece os mais elementares conceitos de humanidade, os mais elementares conceitos de fraternidade, os mais elementares conceitos de construção da paz e da harmonia.
Disse John Lennon, “give peace a chance”. E eu diria que esta chance que se deve dar à paz só será possível a partir da transformação deste mundo da opressão do capital, em um mundo da valorização do ser humano. Do ser humano em sua essência.

Nunca é demais lembrar o conceito expressado por Saramago no filme “Janela da Alma”: mais de dois mil anos se passaram e nós vivemos hoje, infelizmente, inteiramente dentro da Caverna de Platão

segunda-feira, 2 de maio de 2011

MARCELÃO NO CARTÃO VERMELHO DO DIA 2-5-2011

O Prefeito Marcos Chorão Mendes foi mais uma vez ao Partido chorar suas pitangas e queixar-se de mim. Ele está chateado, não entende como eu poderia ficar reclamando dele que é um “PREFEITO”. Meu Deus do céu, quanta ignorância a do Chorão Mendes.
Alguém precisa dizer ao bebezão que ele não é Deus, ele é um PREFEITO, ele é um prefeito minúsculo, e, nós estamos em uma República, e numa República o poder não emana dos céus, aliás o poder não emana, ele é outorgado pelo povo. Um Prefeito é apenas um síndico, e qualquer um de nós pode, e deve, reclamar dele. Aliás, os seus canais de comunicação são muito maiores que os meus, ele que se defenda . Agora ir ao Rio para dar um de bebê chorão é terrível.
Que coisa chata o mulherengo, como disse o Vinicius Peixoto, e o vagabundo, como disse o Picciani, (hoje um eminente evangélico de ocasião), ficar num chororô de botafoguense que ninguém merece. Que me perdoem os botafoguenses, gente honrada e de moral, mas não estamos falando de honra e moral, até porque isso passou muitos anos luz de distância do nosso bebezão.
Enfim, alguém pode dizer ao bezerro desmamado para parar de chorar? Fica feio na idade dele se fazer de coitadinho. Abre um processinho, me coloca na justiça, mas toma uma atitude mais honrada, ir chorar pitanga é demais.
Em tempo:
1 – Antes que perguntem, respondo, ele pediu para ser ouvido por conta do processo que estamos movendo, e porque haverá reformulação do Partido em vários municípios.
2 – Sobre Silas Bento, disse que o mesmo não será candidato, que só quer o partido para negociar, que não tem a menor chance, e que ele vai, Marquinho, vai apoiar Alfredo Gonçalves.
Ou seja, Marquinho, que tem uma hipocrisia crônica, usa suas mentiras no seu interesse de momento. Todos sabemos que ele, e os seus próximos, não gostam de Alfredo. Não gostam pessoalmente, e não gostam politicamente. Mas, como ele acha que pode ser interessante falar que vai apoiar o PPS, ele fala. Ocorre que o PPS está indo para o colo do governo Sérgio Cabral, e o PSDB vai continuar na oposição. O fato é que Alfredo Gonçalves continua servindo para algumas coisas, e só será descartado mesmo na época da eleição, quando, mesmo se for candidato, ficará sem os esforços da máquina. A história é cheia destes casos, governadores que dizem apoiar um candidato, mas apóiam outro e etc. Bem, o Alfredo só não pode dizer depois que nós não avisamos.
Para finalizar, com relação ao choro do bebê fico imaginando a sua conversa:
MM - poxa vida gente, sniff-sniff, aquele Marcelão buááááááá, ele fica dizendo isso e aquilo de mim no partido, buááááá, sniff-sniff, eu sou prefeito, buááááá, e tô com a fralda toda molhadinha, ops, quer dizer, to com a honra toda manchadinha buááááá, buaááááá, sniff-sniff,... me ajudem!!!
Ou seja, é lamentável, não é não?

Comentário do Blog Cartão Vermelho:
Desculpe mas preciso discordar de uma parte do texto do Dr. Marcelão, que é exatamente essa aqui:
Aliás, os seus canais de comunicação são muito maiores que os meus, ele que se defenda.
Na verdade os canais de comunicação que vexaminosamente se trocam por anúncios da SECAF são muito mais numerosos do que dispomos, mas em número de leitores aqui no Cartão Vermelho massacramos todos eles reunidos, somos líderes absolutos na mídia escrita (virtual ou não) dessa cidade.
Portanto Dr. Marcelão só resta a ao Marcos Mendes chorar.
Forte abraço,
Álex Garcia

quarta-feira, 27 de abril de 2011

O Petróleo é Nosso, mas a Gasolina é do Mercado


Por Dr. Marcelo Paiva Paes
O fantasma da inflação ronda o Brasil, e a Presidente Dilma Roussef começa a responder perguntas sobre o tema. Mas esta inquietação já não contagia tanto a sociedade. O brasileiro, parece, perdeu a memória do medo da inflação. Após 16 anos de estabilidade macroeconômica mundial, perturbada pela crise de 2009, mas que contou com uma estabilidade macro e microeconômica do país que o ajudou a enfrentar o problema, o brasileiro sente esta notícia com uma certeza interna de que teremos ferramentas econômicas para combater o mal. Todos os fracassos anteriores, como o Plano Cruzado de José Sarney, parecem ser “passagem desbotada na memória das nossas novas gerações” (peço aqui licença ao gênio criativo de Chico Buarque).
De fato o Brasil tem instrumentos regulatórios capazes de compensar o aumento da inflação, mas, dentre o rol de ferramentas para este fim, estamos viciados no aumento dos juros. Isto leva a uma insatisfação dos setores produtivos, pois este busca captar recursos nos bancos para investir na produção, porém os altos juros tornam os empréstimos mais caros do que é capaz de render a venda dos produtos. Com esta relação “empréstimo x produção” desfavorável, os produtores diminuem a produção e a economia sofre um processo de desaceleração, afinal, entre outras coisas, diminuímos a contratação de funcionários, e demitimos postos de trabalho, o que leva a menos dinheiro circulando no mercado. Além disto, com juros mais altos, passa a ser mais interessante a especulação financeira, ou seja, é melhor aplicar o dinheiro do que investi-lo na produção.
Bem, de modo geral, ou mesmo latu senso, esta relação se dá porque vivemos na tal “economia de mercado”. Para resumir diria o seguinte, isto ocorre porque o destino do dinheiro é aquele que der mais lucro, o dinheiro vai para onde ele se transforma em mais dinheiro, independentemente das necessidades da população.
E aqui chego ao ponto de interesse do artigo: o preço da gasolina. Ora, o Brasil é auto-suficiente em petróleo, auto-suficiente na sua industrialização, e auto suficiente na distribuição dos seus derivados, neste caso, a gasolina. Então como é possível pagarmos
um preço tão alto por ela enquanto na Venezuela, outro país auto-suficiente, os preços
são irrisórios se comparados ao nosso? Exatamente por este modelo de “economia de mercado”, que parece tão bom quando noticiado pelo William Bonner e pela Fátima Bernardes, dois arautos da defesa do sistema neoliberal. Aliás, eles o fazem de forma tão eficiente que não nos damos conta de passar por uma lavagem cerebral diária e maciça.
A Petrobrás é uma empresa de capital aberto, ou seja, além do governo ela tem sócios espalhados pelo mundo todo, e estes sócios não querem saber se a empresa deve vender a gasolina para nos abastecer e nos beneficiar. Não, o que os sócios querem é lucro, então temos que praticar o preço do mercado internacional, mesmo que por sermos auto-suficientes na exploração e no refino do petróleo este custo seja menor para o Brasil.
Já na Venezuela, a PDVSA (a Petrobrás deles) é uma empresa de capital fechado, é 100% do governo, não tem como sócios grupos estrangeiros, e grandes fortunas nacionais, como aqui na Petrobrás, assim não precisam responder pela inesgotável fome de lucro destes parceiros. Então a PDVSA explora, refina e distribui o petróleo ao custo real da produção interna, e não ao custo do mercado internacional.
Mas isto não quer dizer que ela não venda a preço internacional de mercado, sim, vende, mas para os E.U.A., que aliás, depende visceralmente deste petróleo, e por esta razão tem tanta raiva do Chavez. Afinal eles queriam o inverso da moeda, como aqui.
Soma-se a este motivo a alta carga de impostos que incidem sobre a gasolina.
O fato é que nós temos o péssimo hábito de não buscar a crítica dos fatos, nós nos bastamos apenas com a notícia ofertada pela grande mídia, e esta, toda ela, está comprometida com uma única verdade, a verdade do lucro. Lucro que gera anúncios, e, conseqüentemente, uma defesa subliminar e cruel deste modelo.